O número de estudantes brasileiros que terminam o ensino fundamental sem um domínio completo dos fundamentos, como leitura, escrita, interpretação de textos e operações matemáticas básicas é considerável, e acima de tudo preocupante. Muitos defendem que tal deficiência no aprendizado se deve, em grande parte, a uma metodologia de ensino mais moderno, que teria banido métodos tradicionais, como por exemplo a repetição. Defendem ainda que estes últimos são os que realmente funcionam e têm maior eficácia, muitas vezes tomando como base suas próprias experiências pessoais na infância. Constata-se, no entanto, que a educação de qualidade no Brasil ainda é, infelizmente, uma realidade acessível a poucos. A discussão sobre métodos de ensino é válida e importantíssima, mas deve ser feita sem perder de vista o fato de que é precedida pela discussão do investimento e prioridade política que a educação deve receber.

Desde os tempos do Brasil colônia, a educação nunca conseguiu ocupar seu lugar de direito no topo da lista de prioridades dos governos que sucederam-se. De fato, é de causar espanto que a primeira gráfica tenha surgido somente com a vinda da família real, em 1808, mais ou menos cem anos após os primeiros livros começarem a ser impressos em países vizinhos de língua espanhola. Antes disso, a imprensa era proibida na colônia, o que foi uma das causas de um grave atraso no desenvolvimento cultural, social e econômico da população. Ainda hoje existem problemas gravíssimos: atraso sistemático no pagamento de salários aos professores; baixa remuneração destes e quase inexistência de reajustes anuais; impossibilidade de dedicação de tempo e esforço de muitos estudantes devido à necessidade de início precoce no mercado de trabalho para ajudar no orçamento doméstico, entre muitos outros. Avanços significativos têm sido feitos, mas ainda há muito a melhorar.

Apesar de todas as falhas e deficiências do sistema educacional, deve-se também discutir, em paralelo, os métodos de ensino a serem empregados. Duas correntes pedagógicas principais destacam-se no debate: uma mais tradicional, em vigor n amaior parte do século XX, e outra mais moderna, que pouco a pouco foi tomando o espaço daquela a partir do final do mesmo século. A primeira prima pelo rigor, pela figura imponente e respeitada do professor e pela memorização como instrumento básico no aprendizado. Uma vantagem desse método é a boa fixação dos conteúdos, e uma desvantagem é a falta de relacionamento entre os conteúdos fixados e o desestímulo ao pensamento crítico e à criatividade.

A segunda corrente, por sua vez, enfatiza, além da aplicabilidade dos conteúdos e o uso de exemplos levando em consideração a realidade social específica dos alunos,  uma construção conjunta dos assuntos a serem abordados em sala de aula, de forma que o conhecimento não seja transmitido unilateralmente do professor aos alunos, mas criado por ambos, assumindo o professor mais um papel de mediador do que de transmissor. Tal abordagem, quando bem planejada e com a devida preparação para uma boa e suave transição entre as metodologias, tanto de professores como de alunos, pode render resultados altamente satisfatórios, estimulando a tomada de decisões autônomas, o desenvolvimento do senso de responsabilidade e uma visão de mundo mais aberta e crítica. Por outro lado, existe o risco de uma liberdade exacerbada dos alunos, especialmente quando o método é aplicado sem o devido planejamento e preparo.

Ambos os métodos têm suas vantagens e desvantagens, e não pode existir somente um método perfeito que seja adequado a todas as situações e circunstâncias. Cada realidade específica exigirá um deles, ou ainda uma combinação dos dois, que resolverá da melhor forma seus problemas e deficiências educacionais. É necessário também que seja dada prioridade máxima para o tema da educação na agenda dos governos federal, estaduais e municipais.