Acho que faz tempo que não escrevo da vida… da minha vida, no presente. Tudo tem sido muito corrido. Estou trabalhando todo dia, das 8h às 18h, freqüentando um cursinho preparatório de segunda a quinta, das 19h às 22h, e estudando o quanto e como posso, nas sextas à noite e nos finais de semana. E na medida do possível vou me ajeitando e arrumando um tempinho, por menor que seja, pra fazer o que eu gosto e o que me anima e me move.

Ultimamente tenho pensado um pouco sobre o fato de eu ser muito empolgado com as coisas que acontecem e, principalmente, as que vão acontecer comigo. Um exemplo é o concurso para o Rio Branco… Todo dia pego carona com o Túlio, indivíduo gente boa e motorizado que mora em Barão, e com a Érica, indivídua que trabalha e compartilha das minhas dificuldades de conciliação entre estudo e trabalho. Pois a Érica tava me dizendo que não tinha falado pra quase ninguém que queria prestar Rio Branco, que tava estudando e fazendo cursinho. Ela contou que tomou essa atitude por conta de experiências negativas que teve com o exame da OAB (ela é formada em direito). Cria-se toda uma expectativa e uma pressão em torno disso, que acaba tirando um pouco da liberdade. Ela não queria advogar e pra ela isso era muito claro, e não gostava nem um pouco da pressão por fazer OAB, exercer a profissão para a qual tinha se preparado etc.

Comigo acontece muito a coisa no sentido oposto, e isso me ajudou a percebê-lo melhor. Quando existe uma mínima expectativa em relação a alguma coisa, eu já começo a espalhar pelos quatro cantos, saio contando pra todo mundo mesmo, e até bem pouco tempo atrás nem me dava conta disso. O problema disso não é nem a pressão externa, dos amigos e familiares, mas sim a pressão que eu acabo criando sobre mim mesmo e a perfeição que eu me exijo, que é bem pior, e aumenta muito e me prejudica em muitos sentidos.

Um outro desdobramento disso é algo que conversei recentemente com minha grande e querida amiga e vizinha Ju: a aflição, o afobamento, a empolgação excessiva com algumas coisas. No fundo talvez seja a mesma coisa, ou talvez a causa do “sair contando pra todo mundo”. Uma coisa que muitas pessoas têm, de esperar algo estar minimamente bem estruturado e sólido para só depois contar aos próximos, para prevenir expectativas frustradas, é algo que para mim é extremamente difícil. Relacionado a isso está a arte de guardar segredos, que tenho aprendido bastante e posso dizer que já domino com certa desenvoltura, mas igualmente foi um processo bem lento. Até alguns anos atrás eu não tinha o menor pudor em contar coisas confidenciadas a mim para outras pessoas da minha confiança, não via nisso o menor problema. E claro, em algumas situações a pessoa que confidenciava acabava descobrindo e isso diminuía bastante a confiança em mim. Com o tempo fui aprendendo o que para muitas pessoas é óbvio, e isso hoje me alegra muito.

Essa outra etapa de ser mais cauteloso com as coisas incertas sobre o meu futuro que eu revelo para os amigos… Isso está sendo um desafio, superado pouco a pouco, em pequeninas e importantes etapas. Os resultados são animadores… Recomendo! =) Ah, vou ver se escrevo sobre Taizé no fim de semana… Sem garantias…

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Freedom and (external and internal) pressures

I think I haven’t written about life for a while… about my life, in the present. My free time is very reduced now. I’m working everyday from 8am to 6pm, attending a preparatory course from Monday to Friday, from 7pm to 10pm. and studying as much as and however I can, on Friday nights and on weekends. And I try to find some time, no matter how small, to do things I like, things that excite me and move me.

I’ve been thinking lately about the fact that I’m too overwhelmed with things that happen and, specially, things that will happen to me. An example are the exams for Instituto Rio Branco (responsible for the education of Brazilian diplomats). Everyday I take a ride with Túlio, a very nice individual who owns a car and lives in Barão Geraldo, and with Érica, another individual who works and with whom I share my difficulties in reconciling study and work. Érica was telling me that she hadn’t talked with almost anyone that she wanted to be a diplomat, that she was studying and attending classes. She told that she did this because of negative experiences with the OAB exams (she is graduated in law). Great expectations and pressure are created, taking away some freedom. She didn’t want to be a lawyer, and to her this was very clear, and she really didn’t appreciate the pressure for taking the exams, for pursuing the profession for which she prepared, etc.

This happens with me in the opposite direction. and the talk with Érica made me realized it better. When there is a minimal expectation towards something, I begin to spread the news around, telling everybody, and until a very short time ago I wasn’t aware of it. The problem with this isn’t even the external pressure from friends and family, but the pressure that I create over myself and the perfection that I demand from myself, which is even worse. and impairs me in many ways.

Another deployment of that is something I’ve talked recently with my great and beloved friend and neighbor Ju: the excessive excitement with a few things. Ultimately it may be the same thing, or perhaps the cause of the “going around telling the whole world”. One thing that many people have, to wait something to be minimally well structured and solid, and only after that telling the friends, to prevent frustrated expectations, it is something that for me is extremely difficult. The art of keeping secrets is related to this. I have learned a lot about it and I can say that now I master it well enough, but it was also a slow process. Until a few years ago I wouldn’t have any problems at all telling very personal or intimate things entrusted to me to some other people. And of course, in some situations the person who had entrusted these personal things would find out and they wouldn’t trust me that much anymore. With time I learned what for many people is obvious, and today this fills me with joy.

This other step of being more careful with the uncertain things about my future that I expose to friends … This is a challenge, overcome little by little, in tiny and important steps. The results are encouraging … I recommend it! =) Oh, I will try to write about Taizé on the weekend … No guarantees though…