na oração da noite de quinta-feira, dia 08/06 (traduzido pelo Lucas):

É uma tradição de dizer uma vez por semana algumas palavras aqui na Igreja. E !também! por nos regozijar de estarmos juntos. Deus nos reúne em uma só comunhão. Essa semana a presença dos alemães é dominante, mas nós sentimos uma comunhão que ultrapassa as fronteiras. Então eu gostaria de saudar aqueles que vêm de muito longe e que vão ficar algum tempo conosco: da Índia, das Filipinas, de Hong Kong, do Brasil, da Bolívia, de Uganda. Existem outros povos representados, mas a lista seria longa demais.

Nós celebramos toda essa semana a festa de Pentecostes. É uma festa que nos transforma. Mas ao mesmo tempo é tão difícil compreender quem é o Espírito Santo.

Se nós lermos atentamente o Evangelho, sobretudo o Evangelho de Lucas, nós veremos que o Espírito Santo é como um amigo invisível que acompanha Jesus, tanto nos momentos bons como nas situações difíceis. E Jesus quer nos introduzir nessa amizade com o Espírito Santo.

Essa amizade significa uma proximidade com Deus. O Cristo veio não somente para nos ensinar, mas para nos dizer: "você é bem próximo de Deus, e para sempre".

O Cristo dava ao Espírito Santo o nome de "Consolador", que nós podemos traduzir também como "Defensor", ou seja, aquele que nos sustenta nas dificultades. E o Cristo diz ainda que ele não está somente conosco, mas em nós, e para sempre.

Sim, pelo Espírito Santo, Deus fala ao nosso coração. E o que ele nos diz? Ele nos repete constantemente, nos nossos dias como nas nossas noites, o amor que Deus tem por cada uma e por cada um de nós. Ele é o sim que Deus diz à nossa existência.

Esse sim de Deus é a origem de cada criatura. Na primeira página da Bíblia
nós podemos ler isso: "Deus viu que tudo era muito bom". Jesus repetiu esse sim de Deus a cada ser humano na cruz. E o Espírito Santo repete isso constantemente em nós.

Temos de transmitir esse sim de Deus a todos aqueles que nos são confiados, aos nossos vizinhos, mas também àqueles que se sentem excluídos. Transmitir esse sim não somente pelas palavras, mas com nossa existência, nos fazendo próximos dos outros, e os apoiando.

E isso requer coragem. Mas existem tantos testemunhos de pessoas que amaram e sofreram por isso… Esses testemunhos nos encorajam. Nós ficamos muito ressentidos na semana passada, quando eu estava com dois irmãos em Moscou. Nós visitamos o patriarca da Igreja ortodoxa russa, que apóia tanto a vinda de jovens russos e de padres ortodoxos a Taizé.

Nós nos demos conta que os enormes sofrimentos que o povo russo atravessou no último século ainda marcam a vida das pessoas e a vida da sociedade. Ao sul de Moscou nós visitamos um lugar chamado Butovo. Recentemente foi descoberto que nesse lugar, nos anos de 1936 e 1937, num período de 14 meses, foram fuziladas 20.000 pessoas, entre eles 1.000 padres ou religiosos, unicamente por causa de sua fé.

Entre esses mártires existem aqueles que dão a conhecer os seus nomes. Por exemplo, o padre Alexandre Men, homem de uma grande abertura que encorajou inúmeras pessoas a crer em Deus e na bondade do ser humano. Para os russos, a fé em Deus e a confiança na bondade do ser humano são inseparáveis.

Esse padre foi assassinado a machadadas, quando atravessava o pequeno caminho entre sua casa e a estação de trem. Os amigos desse padre se sentiram muito próximos de nós nos últimos tempos, pois o irmão Roger também foi assassinado de uma forma brutal.

Na nossa visita à Rússia, nós, os irmãos, ouvimos um chamado que eu gostaria de transmitir: nunca deixem de acreditar na bondade do ser humano. E essa bondade, o Espírito Santo nos dará sempre.

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