“What have we here laddy? Mysterious scribblings? Secret codes? No! Poems, no less. Poems, everybody! The laddy here makes himself a poet!”

(from Pink Floyd’s “The Wall”)

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É preciso não esquecer nada (Cecília Meireles)

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

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It is necessary not to forget anything (Cecília Meireles)

It is necessary not to forget anything:
nor the faucet open, nor the fire light up
nor the smile for the unhappy
nor the prayer of every moment.

It is necessary not to forget to see the new butterfly
nor the sky of everyday.

What is necessary is to forget our face,
our name, the sound of our voice, the rythm of our pulse.

What is necessary is to forget the day filled with acts,
the idea of reward and of glory.

What is necessary is to be as if we already were not
watched by our own eyes
severes with ourselves, beucase the rest does not belong to us.