Vou aproveitar a empolgação desse princípio de manhã e escrever também sobre algo que nos últimos dias tem especialmente atraído a minha atenção… Na semana passada conversei com um grande amigo, a quem admiro muito, o Pe. Toninho. Estava com algumas dúvidas vocacionais (a maioria delas ainda persiste, apesar de eu estar mais tranqüilo com elas), e queria muito conversar sobre isso. E ele me falou umas coisas que me provocaram muito. É impressionante o tamanho do amor de eternidade com que somos amados pelo Deus-Todo-Amor… Às vezes eu me espanto, e o bom mesmo seria que me espantasse, ou ainda, me encantasse, sempre! Talvez desse modo eu vivesse minha vida mais suave, mais… … Mas que bom que eu vivo como vivo! =) Enrolo, enrolo e ainda não falei o que o Pe. Toninho me disse. Certo.

Muitas vezes eu fico esperando respostas de Deus, especialmente no que toca à vocação. E o que ele me falou foi que Deus nunca vai chegar pra mim e falar no meio da oração “olha, Lucas, eu quero que você seja um padre”, ou então “quero de você um homem casado, com uma bela família, e muitos filhos”… É o que esperamos, não é verdade? Seria muito mais simples! Um plano todo traçado à nossa frente, só esperando pelo nosso “sim”… Mas Deus ainda vai mais além… Ele nos dá a liberdade de escolher o que queremos! E isso nos desconcerta, nos quebra por inteiro… Ele vai ficar muito feliz se eu escolher ser um sacerdote; vai ficar muito feliz se eu escolher me casar e ter filhos; e vai ficar igualmente feliz se eu escolher ser um religioso e viver numa comunidade de monges… Essa é a medida do amor do nosso Deus! =)

E nesses últimos dias, tenho sido especialmente agraciado (=milagre) com o dom de viver na carne essa liberdade, de experimentar isso, sem ter muita base, onde me agarrar… Como isso é difícil! Parece que tudo é tão mais simples quando não temos que escolher nada… Como é doloroso para nós ser livres! Parece que cada escolha, cada decisão, é um parto! E tal qual, envolve muita dor (não vou entrar no mérito da cesária…) e também muita alegria, quando a tal decisão finalmente é tomada. E não tem como ser diferente: a dor consiste em abraçar algo muito bom, e rejeitar algo igualmente muito bom. Nunca sabemos, de imediato, se o que abraçamos é o que realmente nos realizará mais, mas somos mais humanos quando corremos o risco… Somos mais nós mesmos quando nos arriscamos, e damos um passo meio que “no escuro”, mas não exatamente… E como isso é belo! A arte de tomar decisões… A arte de nos abrirmos para o Amor… =)