Depois de voltar de São José do Rio Preto, fui dar uma olhada geral no meu círculo internético, blogs de amigos, email, orkut etc. E fiquei não triste, mas um pouco abatido (só um pouco mesmo) por não achar nada sobre o memorável sorvete no MASP no blog da tão amada, salve-salve Cris. Mandei um email curtinho pra ela, e algum tempo depois ela escreveu um post mó legal no blog dela, e me mandou outro email exigindo em troca um comentário a respeito do referido post, e um email contando sobre o meu retiro. Na verdade, eu já tava pensando mesmo em escrever algo sobre o retiro aqui nesse blog (eu pensei “in this very blog” mas não achei uma tradução à altura) mas acho que estava com um pouco de preguiça. Mas escrevamos então.

Antes de mais nada, aviso que esse post será um pouco longo, imagino que deva demorar algo entre 2 e 10 minutos para lê-lo por inteiro, e digo isto antes mesmo de o escrever, pois estou me sentindo um tanto quanto inspirado e com vontade de relatar a experiência não por completo, por ser demasiado profunda e pessoal, mas o que eu achar pertinente, relatá-lo-ei. Feitas as devidas considerações, vamos ao que interessa.

Um dia desses eu tava na festa julina na casa Santo Inácio, pra ser mais exato, dia dois de julho, e tive a alegria e a honra de encontrar o Pe. Ranieri por lá. Foi com ele que fiz um retiro na Semana Santa esse ano, na Vila Manresa em Itaici, junto com uma galera grande da Pastoral Universitária e do Projeto Universidades Renovadas. E ele, antes de entrarmos em algum assunto mais importante (se é que havia um), me perguntou se eu faria o retiro de oito dias, agora no meio do ano. Na mesma hora, senti uma alegria muito grande… já estava pensando nisso havia algum tempo. Estava passando por uns momentos meio difíceis na vida, e era exatamente o que eu precisava. Além de tudo isso, o retiro seria na Vila Kostka (casa de retiros imensa e linda, onde também os bispos da CNBB se reúnem) e com o Pe. Herreros (do Anchietanum), sobre o qual só ouço elogios rasgados de pessoas muito queridas. Encontrei com ele uma vez, e foi bonito, fiquei encantado com ele, e achei a oportunidade ideal para conhecê-lo um pouco mais, além dos benefícios mais ou menos óbvios do retiro em si.

Alguns dias depois, liguei no Anchietanum, falei com o Pe. Herreros e, para a minha tristeza, não poderia fazer aquele retiro, pois era direcionado para jovens que nunca tinham feito o de oito dias, e que não tinham muita experiência com os Exercícios Espirituais de Santo Inácio. Não que eu tenha muita experiência, mas já tinha feito duas vezes, portanto não poderia fazer. Já tinha até me conformado em fazer com outro padre, nos mesmos dias, lá na Vila Kostka mesmo… aí apareceu a querida Flávia. Eu falei pra ela que faria o retiro, e ela começou a investigar e vasculhar, quem era o melhor padre, o mais bacana e legal dos que iam dar retiro… ela também ia fazer um de oito dias, com o Pe. Edson Andretta (mestre de noviços dos jesuítas), e queria que eu fizesse a melhor experiência possível… no fim das contas, acabei fazendo junto com ela lá em Rio Preto, com o Pe. Edson também…

A casa de retiros (se chama Santo André) era linda… Gramado bem cuidado, muitas árvores, um ipê imenso escandalosamente florido e exibido, um bosque lindo com mais árvores, bancos de praça, e até uma concha acústica! Fica bem do lado de um colégio, que também se chama Santo André, e a gente que tava fazendo o retiro também podia circular pelo colégio. Tudo é cuidado pelas irmãs de Santo André, uma mais fofa que a outra, com suas saias coloridas e roupas alegríssimas… Conversei bastante com uma delas, a irmã Ana Maria, que tava ajudando no retiro. Ela me explicou um pouco da história da congregação… Foi fundada em 1200 e pouco, mas até 1960 e pouco ninguém sabia disso. Foi por essa época que as irmãs venderam para o Estado um terreno delas na Bélgica, e quando eles começaram a demolir acharam umas coisas diferentes, e chamaram arqueologistas. Descobriram várias coisas que as levaram a concluir a real data de fundação, e que as ajudaram a entender um pouco da própria história. Interessante, né! Elas têm uma relação muito próxima de amizade e cooperação mútua com a comunidade Taizé, freqüentemente ajudando os irmãos a preparar encontros e onde mais for necessário, inclusive foi na preparação da Jornada da Confiança de 2002 em Campinas que eu tomei conhecimento da existência dessa tão querida congregação. Desde 1600 e pouco elas adotam a espiritualidade inaciana como caminho no seguimento do Cristo.

Tinha uma outra irmãzinha muito fofa, que tava fazendo o retiro, a irmã Chafica. Ela é descendente de sírios e tem 83 anos, e é irmã há mais de 60. Foi muito bonito fazer o retiro com ela. Apesar de ninguém poder conversar, parece que tem um ar de amizade mútua e companheirismo circulando, muito legal… É muito legal ver alguém de carne e osso, verdadeiramente feliz e alegre por amar e servir a Deus por uma vida inteira, e encher a boca pra falar que vale a pena! E ela é super disposta, andava pra cima e pra baixo, ajudava a lavar as louças depois das refeições, e estava sempre com um sorriso muito bonito no rosto… =)

As capelas são outra coisa que merece bastante destaque… Todas com a assinatura do Cláudio Pastro, muito lindas e muito simples! Foi um privilégio e uma alegria muito grande ficar oito dias rezando em um lugar tão gostoso e convidativo… O que mais…? Foi bacana também porque pude conhecer um pouco mais o Pe. Edson. Tinha um contato muito de “ois” e “tudo bens”, e não muita coisa além disso… e foi muito bom! Ah, e tem também a comida! Tava muito boa demais da conta, como em todo retiro inaciano que eu já fui até hoje… só tinham alguns pequenos probleminas: na janta nunca tinha farinha, e no almoço nunca tinha prato fundo. Só tinha na janta, porque tinha sopa, mas eu acabava usando o mesmo da sopa pra comida também. Mas putz, sacanagem, podia ter prato fundo e farinha tanto no almoço como na janta! Não custava nada… Mas como era retiro de silêncio, eu não podia sugerir isso pras cozinheiras… Fazer o quê?

Quando a gente tava indo embora, ainda conheci uma mulher muito bacana e especial. É assistente social, funcionária pública (esqueci o nome dela, que raiva!), já fez o retiro de trinta dias, fez parte muito tempo da CVX, é envolvida com muita coisa bacana na área social, e tivemos uma conversa muito agradável e revigorante (além de alegre e descontraída) no caminho da casa de retiros pra rodoviária (ela se ofereceu pra me dar carona). Ah, ela tem uma filhinha de uns 10 anos, linda! Queria tanto ter podido (!?) conversar mais com ela, mas… não rolou. Bom. O meu retiro foi mais ou menos assim. Espero que tenham gostado. Recomendo pra todo mundo, é realmente muito bom! =)