O número de estudantes brasileiros que terminam o ensino fundamental sem um domínio completo dos fundamentos, como leitura, escrita, interpretação de textos e operações matemáticas básicas é considerável, e acima de tudo preocupante. Muitos defendem que tal deficiência no aprendizado se deve, em grande parte, a uma metodologia de ensino mais moderno, que teria banido métodos tradicionais, como por exemplo a repetição. Defendem ainda que estes últimos são os que realmente funcionam e têm maior eficácia, muitas vezes tomando como base suas próprias experiências pessoais na infância. Constata-se, no entanto, que a educação de qualidade no Brasil ainda é, infelizmente, uma realidade acessível a poucos. A discussão sobre métodos de ensino é válida e importantíssima, mas deve ser feita sem perder de vista o fato de que é precedida pela discussão do investimento e prioridade política que a educação deve receber.

Desde os tempos do Brasil colônia, a educação nunca conseguiu ocupar seu lugar de direito no topo da lista de prioridades dos governos que sucederam-se. De fato, é de causar espanto que a primeira gráfica tenha surgido somente com a vinda da família real, em 1808, mais ou menos cem anos após os primeiros livros começarem a ser impressos em países vizinhos de língua espanhola. Antes disso, a imprensa era proibida na colônia, o que foi uma das causas de um grave atraso no desenvolvimento cultural, social e econômico da população. Ainda hoje existem problemas gravíssimos: atraso sistemático no pagamento de salários aos professores; baixa remuneração destes e quase inexistência de reajustes anuais; impossibilidade de dedicação de tempo e esforço de muitos estudantes devido à necessidade de início precoce no mercado de trabalho para ajudar no orçamento doméstico, entre muitos outros. Avanços significativos têm sido feitos, mas ainda há muito a melhorar.

Apesar de todas as falhas e deficiências do sistema educacional, deve-se também discutir, em paralelo, os métodos de ensino a serem empregados. Duas correntes pedagógicas principais destacam-se no debate: uma mais tradicional, em vigor n amaior parte do século XX, e outra mais moderna, que pouco a pouco foi tomando o espaço daquela a partir do final do mesmo século. A primeira prima pelo rigor, pela figura imponente e respeitada do professor e pela memorização como instrumento básico no aprendizado. Uma vantagem desse método é a boa fixação dos conteúdos, e uma desvantagem é a falta de relacionamento entre os conteúdos fixados e o desestímulo ao pensamento crítico e à criatividade.

A segunda corrente, por sua vez, enfatiza, além da aplicabilidade dos conteúdos e o uso de exemplos levando em consideração a realidade social específica dos alunos,  uma construção conjunta dos assuntos a serem abordados em sala de aula, de forma que o conhecimento não seja transmitido unilateralmente do professor aos alunos, mas criado por ambos, assumindo o professor mais um papel de mediador do que de transmissor. Tal abordagem, quando bem planejada e com a devida preparação para uma boa e suave transição entre as metodologias, tanto de professores como de alunos, pode render resultados altamente satisfatórios, estimulando a tomada de decisões autônomas, o desenvolvimento do senso de responsabilidade e uma visão de mundo mais aberta e crítica. Por outro lado, existe o risco de uma liberdade exacerbada dos alunos, especialmente quando o método é aplicado sem o devido planejamento e preparo.

Ambos os métodos têm suas vantagens e desvantagens, e não pode existir somente um método perfeito que seja adequado a todas as situações e circunstâncias. Cada realidade específica exigirá um deles, ou ainda uma combinação dos dois, que resolverá da melhor forma seus problemas e deficiências educacionais. É necessário também que seja dada prioridade máxima para o tema da educação na agenda dos governos federal, estaduais e municipais.

A lei eterna, a faculdade radical do espírito humano, é o movimento. Quanto maior for esse movimento mais ele preenche o seu fim, mais se aproxima desses pólos dourados que ele busca há séculos. O livro é um sintoma de movimento? Decerto. Mas estará esse movimento no grau do movimento da imprensa-jornal? Repugno afirmá-lo.

O jornal, literatura quotidiana, no dito de um publicista contemporâneo, é reprodução diária do espírito do povo, o espelho comum de todos os fatos e de todos os talentos, onde se reflete, não a idéia de, um homem, mas a idéia popular, esta fração da idéia humana.

O livro não está decerto nestas condições; — há aí alguma coisa de limitado e de estreito se o colocarmos em face do jornal. Depois, o espírito humano tem necessidade de discussão, porque a discussão é — movimento. Ora, o livro não se presta a essa necessidade, como o jornal. A discussão pela imprensa-jornal anima-se e toma fogo pela presteza e reprodução diária desta locomoção intelectual. A discussão pelo livro esfria pela morosidade, e esfriando decai, porque a discussão vive pelo fogo. O panfleto não vale um artigo de fundo.

Isto posto, o jornal é mais que um livro, isto é, está mais nas condições do espírito humano. Nulifica-o como o livro nulificará a página de pedra? Não repugno admiti-lo.

Já disse que a humanidade, em busca de uma forma mais conforme aos seus instintos, descobriu o jornal.

O jornal, invenção moderna, mas não da época que passa, deve contudo ao nosso século o seu desenvolvimento; daí a sua influência. Não cabe aqui discutir ou demonstrar a razão por que há mais tempo não atingira ele a esse grau de desenvolvimento; seria um estudo da época, uma análise de palácios e de claustros.

As tendências progressivas do espírito humano não deixam supor que ele passasse de uma forma superior a uma forma inferior.

Demonstrada a superioridade do jornal pela teoria e pelo fato, isto é, pelas aparições de perfectibilidade da idéia humana e pela legitimidade da própria essência do jornal, parece clara a possibili­dade de aniquilamento do livro em face do jornal.

Machado de Assis. O Jornal e o Livro. In: Obra Completa. vIII. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

Publicado originalmente no Correio Mercantil, Rio de Janeiro, 10 e 12/01/1959.


Tendo como referência o texto O Jornal e o Livro, de Machado de Assis, discuta a possibilidade de “aniquilamento” do jornal e do livro pelas novas ferramentas de comunicação. Extensão: 600 a 650 palavras.


Velho e Novo são desde tempos imemoriais bandeiras que sempre seduziram combatentes das mais diversas classes sociais e idades, convocando-os para a luta ontológica que parece nunca chegar a uma conclusão definitiva. Representantes de ambos os lados competem de uma forma ferrenha para deixar claro para o mundo qual é o melhor, aquele que vai seguramente conduzir a uma realização mais completa e total da humanidade.

O discurso dos defensores da novidade, do progresso e da transformação é bastante tentador. Argumentam que a sede e a busca por movimento estariam, de fato, no âmago do espírito humano, e impulsionariam o homem a aventurar-se sempre por lugares novos, caminhos novos e idéias novas. Seria, então, inútil tentar resistir a tão poderoso ímpeto, que acabaria, mais cedo ou mais tarde, absorvendo para si tudo o que encontrasse pelo caminho, e eliminando definitivamente qualquer resquício ou sombra das coisas ditas antigas, ou ainda antiquadas.

Por sua vez, o discurso dos arautos da tradição é bem mais cauteloso. Em toda mudança, grande ou pequena, estaria embutido um risco considerável, ameaçando assim um estado de coisas e uma ordem que já estava estabelecida e consolidada. Podem até mesmo não discordar de que algumas transformações podem vir a ser boas e trazer melhorias significativas na qualidade de vida das pessoas, mas nunca se disporiam a ser os pioneiros, deixando para outros tal tarefa e aderindo somente depois de passada a fase mais turbulenta que a maioria das transformações, especialmente as estruturais, trazem consigo.

Inovações tecnológicas são, em muitos casos, o pivô central dessas discussões. Acontecimentos importantíssimos, como o surgimento do automóvel, da imprensa, das indústrias de bens de consumo, da escrita, do rádio, entre muitos outros, revolucionaram a forma como as pessoas interagiam com o mundo. O desenvolvimento dos meios de transporte e, principalmente, dos meios de comunicação, ajudou a encurtar distâncias que antes pareciam intransponíveis. A descoberta da energia nuclear propiciou avanços consideráveis, como um rendimento maior na geração de energia, além da aplicação na propulsão de submarinos e na medicina, constituindo peça-chave de modernos aparelhos de diagnóstico, como os de raios-x.

Em todos esses acontecimentos, e em muitos outros similares, pode ser percebida a incapacidade dos novos agentes de preencher todos os espaços e de realizar uma transformação absolutamente total. Os fatos comprovam que mesmo depois de mudanças estruturais, alguns fortes representantes do Antigo sempre teimam em permanecer firmes, resistindo bravamente aos efeitos do tempo e fazendo cair por terra previsões precipitadas. O disco de vinil, por exemplo, apesar de contar com um número de admiradores consideravelmente menor do que no auge de sua glória, ainda encanta muitos entusiastas, que mesmo após sucessivas revoluções na indústria fonográfica, preferem a beleza do analógico à ostentação do digital.

Outros exemplos fortes e notáveis são o livro e o jornal. Em alguns momentos com pretensões de superioridade de um sobre o outro, acabaram por complementar-se, resistindo juntos, cada qual em seu campo de atuação, às pressões dos avanços das tecnologias digitais, com especial destaque para a rede mundial de computadores. Seria precipitado dizer hoje, mesmo após algumas décadas da chamada revolução digital da informação, que o jornal ou o livro deixarão de existir num futuro próximo.

Não existe, portanto, a necessidade absoluta de que um entre os dois, Velho e Novo, prevaleça e elimine completamente o outro. Tampouco é considerável a possibilidade de que isso aconteça. Percebe-se, de fato, que há contribuições importantes e úteis em ambos os lados, e uma abordagem mais madura e consciente seria a busca da conciliação, unindo as qualidades e deixando de lado diferenças que provocariam nada além de discussões intermináveis e retrocessos.

A proposta de redação foi baseada no texto abaixo, de Luis Fernando Verissimo. Foi pedida uma disssertação sobre o tema suscitado pela crônica, contendo de 600 a 650 palavras. Meu texto encontra-se logo abaixo da referida crônica.


DEFENESTRAÇÃO

Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.

Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Aonde eles chegassem, tudo se complicaria.

— Os hermeneutas estão chegando!

— Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada…

Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.

— Alô…

— O que é que você quer dizer com isso?

Traquinagem devia ser uma peça mecânica.

— Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto. Plúmbeo devia ser o barulho que um corpo faz ao cair na água. Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração. A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas.

Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussufrar no ouvido das mulheres:

— Defenestras?

A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas… Ah, algumas defenestravam.

Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais.

Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? “Nestes termos, pede defenestração…” Era uma palavra cheia de implicações.

Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em:

— Aquele é um defenestrado.

Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata.

Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. “Defenestraçao” vem do francês “defenestration”. Substantivo feminino.

Ato de atirar alguém ou algo pela janela.

Ato de atirar alguém ou algo pela janela!

Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo. — Les defenestrations. Devem ser proibidas.

— Sim; monsieur le Ministre.

— São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.

— Sim, monsieur le Ministre.

— Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: “Interdit de defenestrer”. Os transgressores serão multados. Os reincidentes serão presos.

Na Bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez ainda persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.

— É esta estranha vontade de atirar alguém ou algo pela janela, doutor…

— Hmm. O impulsus defenestrex de que nos fala Freud. Algo a ver com a mãe. Nada com o que se preocupar — diz o analista, afastando-se da janela.

Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada.

Na lua-de-mel, numa suite matrimonial no 17— andar.

— Querida…

— Mmmm?

— Há uma coisa que eu preciso lhe dizer…

— Fala, amor.

— Sou um defenestrador.

E a noiva, em sua inocência, caminha para a cama:

— Estou pronta para experimentar tudo com você. Tudo!

Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e balbucia:

— Fui defenestrado…

Alguém comenta:

— Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela!

Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.


O tamanho do vocabulário empregado pela maioria das pessoas em sua comunicação cotidiana é sensivelmente menor do que o existente e disponível na língua. Uma consequência natural, e mesmo óbvia, desse fato, é o desconhecimento de grante parte de palavras consideradas difíceis, mas que nada mais são do que incomuns, e relacionadas a objetos e situações que ocorrem muito raramente, quando ocorrem. Quantos são os que podem se vangloriar, por exemplo, de já ter presenciado alguém sendo atirar por uma janela, ou sendo defenestrado? Dentre essas palavras, existem ainda aquelas que são específicas de um certo meio, formando jargões próprios: o jurídico, o da informática, da economia, entre outros.

Podem acontecer situações inusitadas e engraçadas: não raro, as tais palavras difíceis são usadas para revestir quem as pronuncia de uma certa aura de sabedoria e elegância, ainda que não se saiba seu significado exato. Se o interlocutor igualmente ignora tal significado, há boas chances do efeito desejado ser alcançado. Caso contrário, o pretendente a sábio pode acabar passando uma grande vergonha. Em ambos os cados, boas risadas podem ser arrancadas de ventiausi transeuntes.

A existência de palavras mais complexas e elaboradas, não só na língua portuguesa, mas também em outras línguas faladas ao redor do globo terrestre e em todos os países, demonstra a grande riqueza nelas presente, riqueza esta que pode e deve ser utilizada não como instrumento de ostentação de poder, mas ao contrário, para que a comunicação entre as pessoas, em todos os seus âmbitos e instâncias, seja significativamente mais fluida.

A descoberta de um vocabulário menos frequentemente utilizado pode dar-se das mais diversas formas: ao assistir um telejornal, um filme, um documentário, em uma palestra proferida por uma pessoa sabidamente mais culta, como um professor universitário ou um escritor, entre outras. Mas é a mídia escrita a que, por excelência, representa a fonte mais abundante e mais facilmente acessível de palavras incomuns e desconhecidas do grande público. Podem ser citados como exemplos: jornais, tanto os impressos como os disponíveis para leitura na internet; livros de literatura, técnicos e didáticos; trabalhos acadêmicos; revistas semanais e outras com menor frequência de publicação; textos informativos em geral, blogs, entre muitos outros.

A aquisição e incorporação deste conhecimento pode contribuir grandemente para uma maior desenvoltura, principalmente ao falar em público, mas também em conversas menos formais. Além disso, as ideias podem ser expressas com muito maior clareza e nitidez, tornando mais fácil e descomplicada a compreensão do que se deseja dizer por seus respectivos interlocutores, eliminando eventuais ambiguidades. Diante disso, percebe-se a extrema importância de grandes campanhas de incentivo à leitura, tanto as que são iniciativa do governo, como as privadas.

O uso mais corrente de um grupo reduzido de palavras não deve ser entendido somente como resultado de uma educação escolar deficiente, ou ainda de uma vivênci acultural menos rica. É, além disso, e sobretudo, um fenômeno inerente à própria língua, em especial à linguagem falada e coloquial.

É claro que isso não deve ser tomado como pretexto para que governos locais e nacionais se furtem de investir uma parcela considerável de seus orçamentos em educação, construindo, ampliando e reformando escolas e universidades, contratando e capacitando adequadamente professores, evitando atrasos no pagamento e reajuste de salários, e criando e executando políticas que contribuam para elevar o nível de aprendizado e a qualidade do ensino.

O mesmo vale para investimentos em cultura, destacando-se a necessidade de promoção das artes como um todo, patrocínio de obras cinematográficas, teatrais e literárias, construção e manutenção de centros culturais, museus e casas de espetáculos, tudo de forma que seja o mais acessível, dentro das possibilidades, para a população. Tais políticas educacionais e culturais, além de melhorar a qualidade de vida no país, combatem indiretamente problemas estruturais, como a má distribuição de renda e as desigualdades sociais.

The South American continent has been subject to enormous changes over the last two decades, and among these changes, the political ones are, by far, the most easily noticeable. For many countries, it has been a period of slow recovery from long decades of oppression and persecution conducted by military dictatorships.

Left wing movements, some of them linked with the USSR, suffered the most, as a result of the US foreign policy for the region during Cold War.

In recent years, the great majority of South American countries have elected left wing governments. They have, in general, a greater concern with social policies and with eliminating dependence on a single major economy, as well as preventing foreign intervention in internal affairs.

President Obama’s declaration in the Summit of the Americas, stating that he wants the US to have fair relations with Latin American countries, as with equals, is also a great sign of hope for the days to come.

All of these changes represent a major accomplishment, the result of long, and often painful struggles. It does not mean, however, that everyone can enjoy a good life, but rather that there is much more to be done. Corruption is one of the strongest examples of the struggles ahead.

Desde umas duas ou três semanas passei a frequentar a BNB (Biblioteca Nacional de Brasília) pra estudar pro concurso do Instituto Rio Branco. Não sei se todos tão sabendo ainda, provavelmente não. Saí do meu emprego anterior e agora estou me dedicando totalmente aos estudos. Resolvi que se continuasse tentando trabalhar 8h/dia e estudar ao mesmo tempo, simplesmente não daria conta de passar no concurso, que é pra lá de difícil. Separei dois anos da minha vida só pra isso. Estou fazendo cursinho preparatório específico para esse concurso, no JB, que aliás recomendo fortemente. Vou estudar firme e forte esse ano todo, prestar o concurso no começo do ano que vem. Se passar, bom, se não passar, estudo mais um ano, com maior intensidade, e presto de novo no começo de 2011. Se não passar, vejo o que faço, mas pelo menos esses dois anos quero deixar dedicados só pra isso.

Aliás, faz uns bons meses que não escrevo aqui. Sobre o assunto do post em si, bem… Aqui na BNB tem uma sala até grande cheia de computadores ligados à internet, maravilhosa. Mas o pessoal não tem dó de ar condicionado não… Não têm noção! Tem que levar casaco reforçado!

E mais uma coisa… Tô querendo escrever mais aqui, colocar redações que vou escrever durante a preparação, comentar notícias, coisas assim. E também, claro, deixar que outros comentem o que escrevo, assim todos crescemos… =)

Há 30 anos o Brasil iniciou um processo árduo de transição democrática.  Combatemos a ditadura militar a custa de sacrifício, sangue e lágrimas.  O povo brasileiro, de maneira direta e contundente, disse não à opressão, não à desigualdade radical, não à pobreza.  O símbolo de nossa vitória foi a Constituição de 1988, que estabeleceu as bases de um novo País.  Um País que valoriza a participação social, que condena a discriminação de gênero, de raça e de classe.  Queremos resgatar o espírito das Diretas! Uma democracia viva é aquela com o povo nas ruas!

O Judiciário é alicerce dos poderes de nossa República. O Supremo, como Corte Constitucional, representa isso em seu grau máximo. Entretanto, o que vimos no último ano foi uma “destruição” na imagem e na credibilidade do Judiciário. O presidente Gilmar Mendes conseguiu colocar a Suprema Corte do País contra o sentimento que está nas ruas! Além disso, contraria o pensamento do próprio tribunal que deixa de decidir como um colegiado e causa um prejuízo ao conjunto do Judiciário Brasileiro que passa a ficar desacreditado.

Nos últimos meses, temos sofrido calados ao dar-nos conta de que algumas das nossas conquistas mais nobres estão sendo ameaçadas.  Sofremos porque percebemos que a Justiça ainda trata pobres e ricos de maneira desigual.  Sofremos porque notamos que os privilégios de classe e o preconceito contra os movimentos sociais persistem na mais alta corte do Brasil.  Nós nos sentimos traídos por quem deveria zelar – e não destruir – (por) nossa democracia: o Presidente do Supremo Tribunal Federal!

Ao libertar o banqueiro Daniel Dantas e criminalizar os movimentos populares, o Ministro Gilmar Mendes revela a mesma mentalidade autoritária contra a qual lutamos nos últimos 30 anos.  O Brasil já não admite a visão achatada da lei, aplicada acriticamente para oprimir os mais fracos.  O Brasil já não atura palavras de ordem judiciais – como “estado de direito”, “devido processo legal” ou “princípio da legalidade” – apresentadas como se fossem mandamentos divinos para calar o povo.  Já não há espaço no Brasil para um Judiciário das elites, um Judiciário das desigualdades.

Sabemos que nossa luta não será fácil.  No passado recente, lutamos contra a ditadura do Executivo e, a duras penas, vencemos.  Lutamos contra a opressão ao Legislativo e pela liberdade da sociedade civil organizada e a nossa força também prevaleceu.  Mas não conseguimos por fim ao autoritarismo judicial, hoje encarnado na postura do Ministro Gilmar Mendes. Mantivemos, no centro da democracia brasileira, a mão forte de uma instituição que oprime, que desagrega, que exclui.  Chegou a hora de retomar a terceira batalha. O Judiciário ainda não completou sua transição para a democracia e a maior prova disso são as posturas do ministro Gilmar Mendes que ofendem e indignam a vontade da população.

O ministro Gilmar Mendes representa um autoritarismo e uma polêmica partidária-ideológica que não coadunam com a nova luz democrática que as ruas querem para este tribunal. Você se lembra de algum partido político que lançou uma nota em apoio a algum presidente do Supremo em outro momento desse país como fez o DEM? Como esse ministro irá julgar agora os processos contra esse partido? Essa partidarização das questões nas quais o ministro Gilmar Mendes está envolvido mina sua credibilidade como juiz isento e imparcial.Sua saída indicaria renovação e o fim de atitudes coronelistas e suspeitas infindáveis que recaem sobre ele (ver abaixo “SUSPEITAS QUE RECAEM SOBRE GILMAR MENDES”)

Por isso, a voz das ruas está pedindo a saída do presidente do STF Gilmar Mendes. Não admitimos mais a presença de juízes que não tenham imparcialidade, integridade moral, espírito democrático-republicano e reputação ilibada para decidir nesta corte. Uma nova luz, democrática e ética deve surgir no STF!

Nas ruas e nos campos, nas capitais e no interior deste País, milhões de brasileiros escondem uma dor cortante dentro de si. Nossa dor é uma dor moral, que nos corrói a alma e nos aperta o coração.  Sofremos por nossa democratização inacabada expressada no presidente do Supremo que, a pretexto de defender direitos individuais, criminaliza movimentos sociais e beneficia banqueiros poderosos. A garantia dos direitos individuais não pode tornar-se desculpa para a impunidade reinante. Já que a soberania emana do povo, perguntem às ruas! Ministro Gilmar Mendes, você nos  envergonha como povo! Precisamos de ministros que sejam respeitados pela maioria da população e tenham reputação ilibada. Precisamos de mentes que, além de técnicas, sejam democráticas e éticas.

É por isso que estamos aqui, em uma vigília por um novo amanhecer, para devolver ao Brasil a liberdade que nos tentam roubar.  Não haverá uma nova luz sobre o Judiciário, enquanto não terminarmos a luta que o povo brasileiro começou há 30 anos. Chegou a hora de concluir a transição democrática, de sair às ruas e iluminar a nossa história com novo choque de liberdade.  O povo já tirou o Collor e tirará Gilmar Mendes!
Saia às ruas Gilmar Mendes e não volte ao STF!  Viva o povo brasileiro!

Movimento Saia às Ruas.

http://saiagilmar.blogspot.com/

saiagilmar@gmail.com

SUSPEITAS SOBRE GILMAR MENDES

  1. Os processos que tramitavam contra ele antes de sua posse no STF. A Constituição Federal é clara em exigir dos Ministros daquela Corte a reputação ilibada. O povo, no texto constitucional, quis assim. Gilmar Mendes, enquanto Advogado Geral da União fez a AGU realizar inúmeros contratos sem licitação com o IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público) um curso de direito que é dono desde a época, para que seus subordinados públicos ali fizessem cursos. Além disso, Gilmar Mendes respondia a uma ação civil pública por improbidade administrativa quando foi indicado ao STF e que posteriormente foi extinta de forma não-unânime pelo próprio STF (logo antes de Gilmar assumir a presidência do tribunal).
  2. A relação de conflito de interesse inerente ao fato de um presidente de um dos poderes da República ser proprietário de um curso de direito pago com benesses públicas e que se vale disso com o slogan “estude com que faz a jurisprudência”. É conseguir vantagens pessoais lucrativas por meio de um cargo público que deveria somente ter interesse republicano. Inclusive, ressalte-se o absurdo do curso de Gilmar Mendes até hoje manter contratos com o poder público, já tendo faturado com isso mais de R$ 2,4 milhões, tudo sem licitação. E, até hoje, o ministro Gilmar Mendes não explicou a aquisição do imenso edifício que possui para seu curso em área nobre de Brasília, feito com recursos de bancos públicos, ligados ao Fundo Constitucional do Centro-Oeste e com isenção de impostos e descontos de 80% de programas do Governo do Distrito Federal.
  3. A forma como se relaciona com um grupo político-partidário na cidade de Diamantino, Mato Grosso, onde tem fazendas, e exerce profunda influência nas decisões jurídicas da região, especialmente eleitorais, em que esteja interessado seu irmão, Chico Mendes, ex-prefeito. Como, por exemplo, a cassação do prefeito Juviano Lincoln (PPS) . Juviano tentava fazer uma devassa nas contas do irmão de Chico. Mas foi processado rapidamente e cassado três meses após assumir. Já o irmão de Gilmar Mendes não teve até hoje seus 30 processos eleitorais julgados – mesmo depois de 8 anos a frente da prefeitura. O ministro Gilmar inclusive participou pessoalmente de comícios e atos políticos estaduais no Mato Grosso, em um dos quais o governador Blairo Maggi chegou a afirmar que “Ele (Mendes) vale por todos os deputados e senadores do Mato Grosso. Ele tem uma força muito grande”. Acreditamos que a força de um presidente do Supremo deve ser demonstrada no julgamento dos processos e não em benefício de uma oligarquia estadual qualquer.
  4. O método e o fundamento utilizado nas duas solturas instantâneas concedidas ao banqueiro Daniel Dantas, com decisões precipitadas (segundo vários juristas, como Dalmo Dallari). Nas quais, de forma inédita no país, um rico foi julgado por corrupção e preso por tal fato na primeira instância. Solto em menos de 24 horas pelo Ministro Gilmar Mendes (algo raro em seus julgados) foi novamente preso, por ter viabilizado o suborno de um delegado da Polícia Federal com um milhão de reais, mas foi solto novamente de forma imediata (algo inédito em seus julgados), em uma decisão que fundamentava não existir fato novo, mesmo com a decisão do juiz Fausto de Sanctis falar essencialmente no fato do suborno, não escrito na primeira prisão. Jamais o ministro Gilmar se mobilizou assim para impedir que ficasse uma semana na cadeia um ladrão de galinha, um sem terra ou qualquer pessoa que não tivesse excelentes advogados que são, inclusive, amigos pessoais do ministro.
  5. A forma autoritária como trata seus pares e, inclusive, a imprensa que não lhe é submissa, como foi o caso da censura imposta pelo ministro Gilmar Mendes ao programa veiculado pela Internet da TV Câmara em que era entrevistado o jornalista Leandro Fortes, da Carta Capital.
  6. A irresponsabilidade e a velocidade como profere julgamentos públicos e midiáticos sobre grupos, pessoas e instituições entre os quais poderá tratar no futuro em processos. Atitude que se acentuou na medida em que ganhou poderes, em especial neste um ano de presidência do STF, como por exemplo o julgamento generalizado que fez das ações da polícia federal, do ministério público e de movimentos sociais, fora dos autos que, posteriormente, deveria julgar com imparcialidade.

(Todas as informações citadas pelo Manifesto não são invenções nossas, mas foram amplamente divulgadas na internet, inclusive em sites jurídicos e ainda em revistas semanais e periódicos diários).

Brasilia

Achei o telefone do consultório da Dra. Eliane ligando no Hospital da Unimed em Brasília e perguntando pra atendende. Aqui em Brasília é bem mais difícil de achar médicos que atendam pela Unimed do que em Campinas, onde eu morei por 8 anos, por exemplo. O consultório é bem pequeno, mas também bem simpático. A Dra. Eliane foi bem profissional, me fez uma série de perguntas, mas mal levantou a cabeça pra olhar na minha cara, ficou quase o tempo todo anotando coisas, meio mecânica, sei lá. Talvez isso não tenha nenhum problema no ser médica dela, mas eu em geral espero um atendimento mais humano, como por exemplo conversar mais com o paciente, enfim, tratá-lo como uma pessoa e não como um problema a ser resolvido. Me examinou deitado, tocou minha barriga, e o que achei bem estranho: pedi pra eu pôr a língua pra fora, e menos de alguns milésimos de segundo depois de eu atendê-la, já pediu pra me levantar… Não entendi! Nem olhou direito… Enfim. Ela pediu uma endoscopia, que era a coisa mais óbvia a se fazer, dado o meu quadro de dores de estômago freqüentes. Vou fazer o exame na quinta (dois dias após a consulta) lá no consultório dela mesmo, e vamos ver no que dá. Aliás, isso foi um ponto positivíssimo dela: consegui marcar uma consulta só com uma semana de antecedência! Nos outros consultórios que liguei, só tinha horários vagos pra daqui no mínimo um mês! E o fato de ela mesma já fazer a endoscopia foi também outro ponto forte a favor, e de poder marcar pra só 2 dias depois da consulta. Talvez isso indique que existe baixa procura por ela e que ela não é tão popular assim. Talvez não. Veremos. Me passou também dois remédios pras dores, que segundo ela não mascaram o exame da endoscopia. Como o exame foi marcado com tanta rapidez, resolvi esperar os resultados pra não comprar remédio (que em geral é caro) à toa. Resumo da ópera: atendimento super profissional e bem pouco pessoal, direto ao assunto, perguntas objetivas, rapidez na marcação de consultas e exames, boa localização do consultório.
Veja mais resenhas de Dra. Eliane Alves de Lima – Eu sou swperman – em Qype

Campinas

Barzinho bem simples, nada muito extraordinário, com a vantagem de ser bem no centro de Barão Geraldo. Se você quer tomar aquela cervejinha esperta com os amigos depois do trabalho, sem grandes pretensões, só bater um papo solto… É o lugar ideal! E eu sou meio suspeito pra falar, porque fica só umas 3 quadras da minha casa! =) Se você mora nas redondezas e não tem carro, é uma boa pedida! Tem um bom sonzinho ambiente (o pessoal tem um gosto musical relativamente bom), bom atendimento, preços razoáveis… De vez em quando tem até música ao vivo! =)
Veja minhas resenhas de Fernando’s Bar – Eu sou swperman – em Qype

A la très-chère, à la très-belle
Qui remplit mon coeur de clarté
A l’ange, à I’idole immortelle,
Salut en immortalité!

Elle se répand dans ma vie
Comme un air imprégné de sel
Et dans mon âme inassouvie
Verse le goût de l’éternel.

Sachet toujours frais qui parfume
L’atmosphère d’un cher réduit,
Encensoir oublié qui fume
En secret à travers la nuit,

Comment, amour incorruptible,
T’exprimer avec vérité?
Grain de musc qui gis, invisible,
Au fond de mon Éternité!

A la très-bonne, à la très-belle
Qui fait ma joie et ma santé
A l’ange, à l’idole immortelle,
Salut en immortalité!

Minha tradução:

Hino

À mui querida, à mui bela
Que enche meu coração de luz
Ao anjo, ao ídolo imortal,
Saudação na imortalidade!

Ela se espalha na minha vida
Como um ar impregnado de sal
E na minha alma insaciada
Derrama o sabor do eterno.

Sachê sempre fresco que perfuma
a atmosfera de reduto querido,
Incensário esquecido que fumega
Em segredo pela noite,

Como, amor incorruptível,
Te exprimir com verdade?
Grão de almíscar que jaz, invisível,
No fundo de minha Eternidade!

À mui boa, à mui bela
Que faz a minha alegria e a minha saúde
Ao anjo, ao ídolo imortal,
Saudação na imortalidade!

English translation by:
Eli Siegel, Hail, American Development
(New York: Definition Press, 1968)

Hymn

To the very dear, to the beautiful one
Who fills my heart with clearness,
To the angel, to the immortal idol,
Hail in immortality!

She is where my life is
Like air tinged with salt,
And in my still desiring soul
Pours the taste of eternity.

Richness always fresh that perfumes
The atmosphere with a dear something,
Forgotten censer which is misty
In secret through the night,

How, love incorruptible,
Tell of you with truth?
Musk grain, that lies, unseen,
At the beginning of my everlastingness!

To the very good, to the very beautiful one
Who is my joy and my health,
To the angel, to the immortal idol,
Hail in immortality!

Acho que faz tempo que não escrevo da vida… da minha vida, no presente. Tudo tem sido muito corrido. Estou trabalhando todo dia, das 8h às 18h, freqüentando um cursinho preparatório de segunda a quinta, das 19h às 22h, e estudando o quanto e como posso, nas sextas à noite e nos finais de semana. E na medida do possível vou me ajeitando e arrumando um tempinho, por menor que seja, pra fazer o que eu gosto e o que me anima e me move.

Ultimamente tenho pensado um pouco sobre o fato de eu ser muito empolgado com as coisas que acontecem e, principalmente, as que vão acontecer comigo. Um exemplo é o concurso para o Rio Branco… Todo dia pego carona com o Túlio, indivíduo gente boa e motorizado que mora em Barão, e com a Érica, indivídua que trabalha e compartilha das minhas dificuldades de conciliação entre estudo e trabalho. Pois a Érica tava me dizendo que não tinha falado pra quase ninguém que queria prestar Rio Branco, que tava estudando e fazendo cursinho. Ela contou que tomou essa atitude por conta de experiências negativas que teve com o exame da OAB (ela é formada em direito). Cria-se toda uma expectativa e uma pressão em torno disso, que acaba tirando um pouco da liberdade. Ela não queria advogar e pra ela isso era muito claro, e não gostava nem um pouco da pressão por fazer OAB, exercer a profissão para a qual tinha se preparado etc.

Comigo acontece muito a coisa no sentido oposto, e isso me ajudou a percebê-lo melhor. Quando existe uma mínima expectativa em relação a alguma coisa, eu já começo a espalhar pelos quatro cantos, saio contando pra todo mundo mesmo, e até bem pouco tempo atrás nem me dava conta disso. O problema disso não é nem a pressão externa, dos amigos e familiares, mas sim a pressão que eu acabo criando sobre mim mesmo e a perfeição que eu me exijo, que é bem pior, e aumenta muito e me prejudica em muitos sentidos.

Um outro desdobramento disso é algo que conversei recentemente com minha grande e querida amiga e vizinha Ju: a aflição, o afobamento, a empolgação excessiva com algumas coisas. No fundo talvez seja a mesma coisa, ou talvez a causa do “sair contando pra todo mundo”. Uma coisa que muitas pessoas têm, de esperar algo estar minimamente bem estruturado e sólido para só depois contar aos próximos, para prevenir expectativas frustradas, é algo que para mim é extremamente difícil. Relacionado a isso está a arte de guardar segredos, que tenho aprendido bastante e posso dizer que já domino com certa desenvoltura, mas igualmente foi um processo bem lento. Até alguns anos atrás eu não tinha o menor pudor em contar coisas confidenciadas a mim para outras pessoas da minha confiança, não via nisso o menor problema. E claro, em algumas situações a pessoa que confidenciava acabava descobrindo e isso diminuía bastante a confiança em mim. Com o tempo fui aprendendo o que para muitas pessoas é óbvio, e isso hoje me alegra muito.

Essa outra etapa de ser mais cauteloso com as coisas incertas sobre o meu futuro que eu revelo para os amigos… Isso está sendo um desafio, superado pouco a pouco, em pequeninas e importantes etapas. Os resultados são animadores… Recomendo! =) Ah, vou ver se escrevo sobre Taizé no fim de semana… Sem garantias…

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Freedom and (external and internal) pressures

I think I haven’t written about life for a while… about my life, in the present. My free time is very reduced now. I’m working everyday from 8am to 6pm, attending a preparatory course from Monday to Friday, from 7pm to 10pm. and studying as much as and however I can, on Friday nights and on weekends. And I try to find some time, no matter how small, to do things I like, things that excite me and move me.

I’ve been thinking lately about the fact that I’m too overwhelmed with things that happen and, specially, things that will happen to me. An example are the exams for Instituto Rio Branco (responsible for the education of Brazilian diplomats). Everyday I take a ride with Túlio, a very nice individual who owns a car and lives in Barão Geraldo, and with Érica, another individual who works and with whom I share my difficulties in reconciling study and work. Érica was telling me that she hadn’t talked with almost anyone that she wanted to be a diplomat, that she was studying and attending classes. She told that she did this because of negative experiences with the OAB exams (she is graduated in law). Great expectations and pressure are created, taking away some freedom. She didn’t want to be a lawyer, and to her this was very clear, and she really didn’t appreciate the pressure for taking the exams, for pursuing the profession for which she prepared, etc.

This happens with me in the opposite direction. and the talk with Érica made me realized it better. When there is a minimal expectation towards something, I begin to spread the news around, telling everybody, and until a very short time ago I wasn’t aware of it. The problem with this isn’t even the external pressure from friends and family, but the pressure that I create over myself and the perfection that I demand from myself, which is even worse. and impairs me in many ways.

Another deployment of that is something I’ve talked recently with my great and beloved friend and neighbor Ju: the excessive excitement with a few things. Ultimately it may be the same thing, or perhaps the cause of the “going around telling the whole world”. One thing that many people have, to wait something to be minimally well structured and solid, and only after that telling the friends, to prevent frustrated expectations, it is something that for me is extremely difficult. The art of keeping secrets is related to this. I have learned a lot about it and I can say that now I master it well enough, but it was also a slow process. Until a few years ago I wouldn’t have any problems at all telling very personal or intimate things entrusted to me to some other people. And of course, in some situations the person who had entrusted these personal things would find out and they wouldn’t trust me that much anymore. With time I learned what for many people is obvious, and today this fills me with joy.

This other step of being more careful with the uncertain things about my future that I expose to friends … This is a challenge, overcome little by little, in tiny and important steps. The results are encouraging … I recommend it! =) Oh, I will try to write about Taizé on the weekend … No guarantees though…

Lembro muito bem de quando eu tava no aeroporto, na sala de embarque… Fiquei um tempão na frente do vidro, olhando e contemplando o avião, aquele Boeing 747 imenso, e imaginando todas as coisas que eu ia experimentar e viver naquela viagem, que estava para começar… Cheguei até a escrever isso no flickr, como descrição dessa foto aí… Não era a primeira vez que eu faria uma viagem daquele tipo, de ficar muitos meses longe da terrinha, mas dessa vez era totalmente diferente… Enfim. A viagem foi bem tranqüila, de Guarulhos até Londres (o trecho mais longo, umas 11 horas) acabei conversando um pouco com uma menininha de São Paulo, de uns 16 ou 17 anos, que tava indo fazer alguma coisa na Alemanha, acho que intercâmbio. Infelizmente não lembro o nome dela, até peguei o email, mas não conseguimos manter contato. Nos separamos no Heathrow, e no vôo de Londres para Paris conheci uma outra moça, brasileira, que estava indo pra alguma cidade francesa, não lembro o nome, e não falava francês nem inglês. Ajudei ela como eu pude, e depois fiquei achando tudo aquilo um absurdo… E muito tempo depois me dei conta que não era de fato tão absurdo assim, e que eu deveria me sentir feliz por tê-la ajudado…

Em Paris foi tudo bem tranqüilo. No Charles De Gaulle sequer olharam direito pro meu passaporte, carimbaram e já me deixaram entrar, sem maiores problemas. Fiquei ainda um bom tempo no aeroporto ajudando a moça, e na fila pra comprar bilhetes de metrô. Cheguei em Antony e fui recebido pelo Rogério, ficamos um tempão conversando. Ele me contou da vida dele por lá e eu aproveitei também pra mandar notícias pra casa. Fiquei pouco tempo em Paris, uns quatro dias, doido de vontade de me mandar logo para Taizé. Visitei pontos turísticos (com e sem o Rogério), tirei muitas fotos, algumas delas realmente muito boas… Comprei muitos livros do Varillon numa livraria chamada “La Procure”, e com vontade de ter comprado mais… Tinha uma prateleira inteira só com livros dele lá!!! Passeei muito, vi as vacas de cores bizarras espalhadas pela cidade, fui em um concerto de música clássica em uma igreja com acústica belíssima, comi crepe com nutella (hummmm!!)..

E conheci a Lada, uma menina da Bósnia, muito gente boa, que tinha mudado pra Paris fazia pouco tempo. Nos encontramos pelo HospitalityClub, um site bem bacana com zilhares de pessoas do mundo todo dispostas a ceder um espacinho nas suas casas por algumas noites para viajantes como eu… Pra quem não conhece, vale a pena dar uma conferida! E tem também o CouchSurfing, que tem o mesmo intuito, mas um sistema melhor desenvolvido e uma interface mais eficiente… Na casa da Lada teve um super jantar preparado pelo Tony, um indiano gente boníssima que mora em Varsóvia e tem um restaurante lá. A comida tava ótima, mas ultra apimentada, e foi muito engraçado… Quando o Tony tava junto, todo mundo “nossa, que delícia etc”, aí ele saía pra fazer alguma coisa e pra ir no banheiro, todo mundo “putz grila, que pimenta forte da porra!!!” Enfim. Dormi uma noite lá, antes de pegar o trem pra Taizé… Ainda me atrasei pra acordar e sair de casa, que acabei perdendo o trem no horário que eu tinha previsto pegar. Tive que pagar um tanto a mais e peguei o trem seguinte, fiquei esperando na estação (Gare de Lyon) umas 3 horas, eu acho… Faz tanto tempo que tô começando a esquecer já! =)

Sei que a experiência em Paris foi, em sua maioria, bem turistona mesmo, tirando os papos com o Rogério, que foram bem brasileiros, e as conversas com a Lada, o jantar com os franceses amigos dela (incluindo o namorado dela, o Alexis)… Deu até pra praticar um pouco o francês, falei pra eles um pouco das minhas expectativas sobre Taizé, do Brasil… Parisienses mesmo, conheci muito poucos, não deu pra ter uma idéia geral sobre eles. A cidade em si é lindíssima, muito inspiradora. Dá vontade de morar lá por algum tempo, em algum momento da minha vida… O sistema de transporte também é muito bom, o metrô e o trem (RER) chega em praticamente qualquer ponto da cidade. Enfim. Foi isso… =) Cenas dos próximos capítulos… Taizé! =)

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Memories from Europe(2): Paris

I remember very well when I was at the airport, in the boarding room… I was by the glass for a long time, looking and contemplating the plane, that huge Boeing 747, and imagining all the things I would experience and live in that trip, that was about to begin… I even wrote about it in flickr, as description for this picture… It wasn’t the first time I would do a trip of this kind, to be many months away from home, but this time was totally different… Anyway. The trip was very calm, from Guarulhos to London (the longest part, about 11 hours) I talked a bit with a girl from São Paulo, she was 16 or 17, and she was gonna do something in Germany, maybe exchange program. Unfortunately I don’t remember her name, I even got her email, but we couldn’t keep contact. We got separated in Heathrow, and in the flight from London to Paris I met a lady, Brazilian one, who was going to some French town, I don’t remember the name, and she didn’t speak any French or English. I helped her as I could, and afterwards I thought all of that was an absurd… And much later on I realized that it wasn’t in fact so absurd, and that I should feel happy for having helped her…

In Paris everything was pretty calm. In Charles De Gaulle they hardly looked at my passport, they stamped it and let me in, without greater problems. I was still in the airport for a long time helping the lady, and in the line to buy metro tickets. I arrived in Antony and I was received by Rogério, we were talking for a long time. He told me about his life there and I sent some news home. I stayed for a short time in Paris, about four days, crazy to go to Taizé as soon as possible. I visited touristic points (with and without Rogério), I took some pictures, some of them really good ones… i bought many books by Varillon in a bookstore called “La Procure”, and I wanted to have bought many more… There was an entire shelf only with books by him!!! I walked a lot, I saw the cows with bizarre colors spread around the city, I went to a nice classical music concert in a church with very nice acoustics, I ate crêpe with nutella (hmmm!!!)..

And I met Lada, a girl from Bosnia, very very nice one, who had moved to Paris recently. We met thru HospitalityClub, a very nice website with zillions of people from the whole world willing to give travelers like me a small space in their homes for a few nights… For those who don’t know it, it’s worth taking a look! And there’s also CouchSurfing, with the same objective, but with a system better developed and a more efficient interface… At Lada’s place there was a nice dinner prepared by Tony, a very nice Indian guy who lives in Warsaw and owns a restaurant there. The food was delicious, but very spicy, and it was a bit funny… When Tony was around, everybody was like “oh, so good etc”, and when he went out to get something or to go to the bathroom, everybody was “holy shit, what a strong spicy sauce!!!” Anyway. I slept one night there, before taking the train to Taizé… And I took too long to get up and leave the house, so I ended up missing the train I was supposed to take. I had to pay a bit more and I took the following train, I had to wait around 3 hours (I think) in the station (Gare de Lyon)… It’s been such a long time that I’m beginning to forget…! =)

The experience in Paris was, in most parts, really very touristic, except for the talks with Rogério (very Brazilian-like, of course) and with Lada, the dinner with her French friends (including Alexis, her boyfriend)… I managed to even practice some of my French, I told them a bit of my expectations about Taizé, about Brazil… Parisians, I met very few, I couldn’t form a general idea about them. The city itself is very beautiful, very inspiring. I feel like living there for some time, in some moment of my life… The transportation system also is quite good, the metro and the train (RER) goes to almost any point in town. Anyway. That was it… =) Scenes from next chapters… Taizé! =)

Trecho muito interessante do capítulo VII (O Delírio), das Memórias Póstumas de Brás Cubas, do mestre Machado de Assis…

“Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura – nada menos que a quimera da felicidade – ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão.”

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Very interesting excerpt from chapter VII (The Delirium), from the Posthumous Memories of Brás Cubas, by the master Machado de Assis (my translation)…

“Then the man, flagellate and rebel, was running before the fatality of things, after a foggy and elusive figure made of odds and ends, a scrap of impalpable, another one of unlikely, another one of invisible, all of them sewed to precarious point, with the needle of imagination; and this figure – nothing less than the fantasy of happiness – either was running away from him perpetually, or it was letting itself get caught by the shirt tail, and the man rang it to his chest, and then she laughed, like a derision, and she vanished, like an illusion.”

If you are either a foreigner or a Brazilian living abroad, you are very likely to qualify for the so-called Brazil Airpass. You pay US$529.00 and you have 4 tickets from anywhere to anywhere inside Brazilian territory (everywhere TAM operates) for 30 days. There’s a lot of other stuff also, but basically it’s a very very good deal for folks who want to know a bit more about this wonderful and tropical country, blessed by God and beautiful by nature (what a beauty! in February there’s Carnival!)… More information and details in the links below:

http://www.tam.com.br/b2c/jsp/default.jhtml?adPagina=805&adArtigo=11669

http://www.globotur.com/airpass.htm

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Isso  não é lá tão útil para brasileiros… Mas se você tiver amigos gringos ou brasileiros mesmo, mas morando no exterior, pode indicar pros fitas esse esquema fantástico pra viajar barato… Trocando em miúdos, você paga 529 dólares e tem direito a 4 vôos de e para qualquer lugar dentro do país por 30 dias. Legal, né? =) Maiores informações, nos links acima.

Pros que não sabem, eu fiz uma viagem meio grande pela Europa uns tempos atrás aí, entre junho/06 e fevereiro/07 (total: aprox. 8 meses). Na época não me preocupei muito em escrever sobre o que estava vivendo, aliás quase nada, tirando a parte que fiquei em Taizé: essa sim foi muito bem documentada. Minha idéia é escrever uma série de memórias, tantas quanto eu conseguir lembrar, a princípio seguindo minimamente uma ordem cronológica, mas não necessariamente. E quem porventura tiver lendo isso (sei que são poucos os que lêem, pela imensa falta de atualização devida à preguiça da minha pessoa) não vá esperando novos posts a cada semana viu! Vou fazer tudo em doses bem homeopáticas e sem a menor pressa, bem light mesmo. Quem sabe daqui uns 40 ou 50 anos eu não faça um livro a partir disso tudo…? =) Eu tava sentindo falta disso fazia um tempinho já. O ideal mesmo era eu ter levado um caderninho e ter escrito um monte durante a viagem, mas… oh well, agora não adianta chorar o leite derramado né? Acho que vai ser legal essa coisa. Vamos ver no que dá… =)

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Memories from Europe (1): Introduction

For those of you who don’t know, I traveled quite a lot thru Europe a while ago, between June/06 and February/07 (total: aprox. 8 months). At the time I didn’t care too much about writing what I was living, except the part when I was in Taizé: this one was very well documented indeed. My idea is to write a series of memories, as many as I can remember, initially following minimally a chronological order, but not necessarily. And whoever is reading this (I know that they are very few, because of the huge lack of updating due to my lazyness) don’t expect new posts every week, ok? I will do everything without any hurry at all, very very calmly and slowly. Who knows, maybe in 40 or 50 years I will make a book with it all…? =) I was missing this for a long time already. The really good thing would be if I had taken a little notebook with me and written a lot during the trip, but… oh well, there isn’t much I can do now, is there? I think that this thing will be good. Let’s see what happens… =)

Alguma vez você já se perguntou o que fazer com lâmpadas fluorescentes velhas que não são mais úteis? Pra mim era já uma coisa clara que não é muito bom jogá-las no lixo comum, mas o que fazer? Hoje aqui na empresa tavam trocando as lâmpadas fluorescentes queimadas, e meu chefe me fez a mesma pergunta. Depois de alguns minutos procurando no Google, descobri umas coisas bem interessantes, eu até tinha uma vaga idéia, mas sei lá… Enfim. Parece que só existe uma empresa que faz a reciclagem apropriada dessas lâmpadas no Brasil todo. Se chama Apliquim, e fica em Paulínia (SP). No site deles tem bastante informação, sobre como guardar as lâmpadas antes de enviar pra reciclagem, manuseio, instruções de transporte, etc. Vale a pena dar uma conferida. A reciclagem e o transporte são um pouco caros, mas se juntar sei lá, um quarteirão todo, ou no caso de empresas, um ou dois prédios vizinhos, já facilita bastante. O site é http://www.apliquim.com.br, e o endereço e telefones são os seguintes:

APLIQUIM Tecnologia Ambiental
Av. Irene Karcher, 1201
CEP 13140-000 Paulínia, SP
Telefones: (19) 3884-8140 / 3884-8141
Fax: (19) 3884-7562

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This post doesn’t make too much sense in English, actually. It’s about recycling fluorescent light bulbs in Brazil, but well… You should look for something in your country, it’s very likely that there is a company specialized in that as well. Just do Mother Nature a favor and don’t throw them into regular garbage cans, they can heavily pollute the soil and the water. Google is your friend =)

Comecei hoje a ler Dom Casmurro. Já tinha lido outra(s) vez(es), mas acho que nunca terminei. Já sei até como é o final, mas estou gostando. Li no segundo capítulo uma metáfora para a morte que gostei muito e talvez a incorpore no meu vocabulário cotidiano:

“… foram estudar a geologia dos campos-santos.”

Today I started reading Dom Casmurro. I had already read it once or twice, but I think I’ve never actually finished it. I even know how it ends, but I’m kind of liking it. I read in the second chapter a metaphor for death which I liked very much, and maybe I will use in my everyday vocabulary:

“… they went to study the geology of the holy fields.”

É… Já faz um certo tempo que eu quero voltar a escrever nesse bendito blog. Várias vezes estou andando, indo ou voltando do trabalho, ou dentro do ônibus, elucubrando sobre mil coisas que dariam ótimos posts… E escrever mesmo que é bom, nada! Outro dia estava dando aula de inglês na Wizard, e sempre tem aquelas frasezinhas de auto-ajuda, e eu sempre puxo mais pro lado pensante, filosófico e crítico da coisa. Uma dessas frases era algo como “é melhor fazer algumas coisas imperfeitas do que fazer um nada perfeito”. E botei os alunos pra conversarem sobre isso, sobre o fato de sempre esperarmos as coisas ficarem “estáveis”, ou “perfeitas” ou “prontas” para, aí sim, começarmos a fazer algo de fato. E essa tão sonhada estabilidade quase sempre não existe, é algo ilusório com o qual nos divertimos…

Aconteceu algo parecido com esse blog. Achava que na minha vida não acontecendo nada que valesse a pena ser escrito, ou que desse vontade ou tesão de escrever. Na verdade, não achava, mas usava essa desculpa para mim mesmo, pra adiar sempre mais o que eu, na verdade, desejava e muito! Hoje tomei uma decisão: iria escrever de qualquer jeito, não importa o que acontecesse. E cá estou! =) Realmente, é difícil vencer essa barreira. Pode-se pensar em outros exemplos: acordar alguns minutos mais cedo para tomar banho e tomar café-da-manhã com mais calma e não ter que sair correndo pra não perder o ônibus; começar a ler aquele livro que está na estante há décadas esperando para ser descoberto; ligar para aquele amigo gente boa que você não vê há mais de dois anos, apesar de morar no mesmo bairro; juntar algum dinheirinho a mais no fim de cada mês (ou seja, dizer alguns “nãos” para festas, etc) pra fazer aquela viajem tão sonhada; entre muitos outros. Mas por outro lado, quando ela (a barreira) é finalmente vencida, a alegria e o sentimento de dever cumprido é tão grande e radiante, que simplesmente vale a pena. =)

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For a long time already I’ve wanted to write in this blog. Several times while I’m walking, going to or coming back from work, or inside the bus, thinking about a thousand things which would make great posts… And no writing! The other day I was teaching English at Wizard (an English school here), and they always have those self help quotes, and I always pull more to the thinking, philosophical and critic side. One of these quotes was something like “it’s better to do many things imperfectly than to do nothing perfectly”. I put the students to talk about this, about the fact that we always wait things to get “stable”, or “perfect” or “ready” in order to actually do something. And this so-dreamed stability almost always doesn’t exist, it’s something illusory with which we entertain ourselves…

Something  similar happened to this blog. I thought that in my life nothing was happening which was worth been written. Actually, I didn’t think, but I just used this excuse to myself, to postpone more and more what I atually desired a lot! Today I took a decision: I would write no matter what happened. And here I am! =)  It’s really hard to overcome this barrier. You can think of other examples: to get up a few minutes earlier to take a shower and eat breakfast more calmly, so you don’t have to rush, afraid of missing the bus; to start reading that book which has been on the bookshelf for decades, waiting to be discovered; to call that very nice friend who you haven’t seen for at least two years, although you both live in the same neighborhood; to save a bit more money at the end of each month (which means saying some “nos” to parties, etc) to do that so-dreamed trip; among many others. On the other hand, when it (the barrier) is finally overcome, the joy and the feeling of “mission accomplished” is so big and radiant, that it’s simply worthwhile. =)

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tiver amor, de nada valeria!


O amor é paciente, o amor é bondoso. Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

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If I speak in the tongues of men and of angels, but have not love, I am only a resounding gong or a clanging cymbal. If I have the gift of prophecy and can fathom all mysteries and all knowledge, and if I have a faith that can move mountains, but have not love, I am nothing. If I give all I possess to the poor and surrender my body to the flames, but have not love, it is worth nothing.

Love is patient, love is kind. It does not envy, it is not proud. It is not arrogant, it is not self-seeking, it is not easily angered, it keeps no record of wrongs. Love does not delight in injustice but rejoices with the truth. It always protects, always trusts, always hopes, always perseveres.

Versão cantada pela Mônica Salmaso em formato RealAudio (aqui).

Version sang by Mônica Salmaso in RealAudio format (here).

Na volta que o mundo dá (Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro)

Um dia eu senti um desejo profundo
De me aventurar nesse mundo
Pra ver onde o mundo vai dar

Saí do meu canto na beira do rio
E fui prum convés de navio
Seguindo pros rumos do mar

Pisei muito porto de língua estrangeira
Amei muita moça solteira
Fiz muita cantiga por lá

Varei cordilheira, geleira e deserto
O mundo pra mim ficou perto
E a terra parou de rodar

Com o tempo
Foi dando uma coisa em meu peito
Um aperto difícil da gente explicar

Saudade, não sei bem de quê
Tristeza, não sei bem por que
Vontade até sem querer de chorar

Angústia de não se entender
Um tédio que a gente nem crê
Anseio de tudo esquecer e voltar

Juntei os meus troços num saco de pano
Telegrafei pro meu mano
Dizendo que ia chegar

Agora aprendi por que o mundo dá volta
Quanto mais a gente se solta
Mais fica no mesmo lugar

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In the spinning of the world (my crazy translation – I accept suggestions)
One day I felt a deep desire
Of adventuring into this world
To see where the world goes

I left my corner in the riverside
And I went on a ship deck
Following the ways of the sea

I stepped many seaports of foreign language
I loved many single girls
I made a lot of music there

I went through mountain ranges, glaciers and deserts
The world to me became near
And the earth stopped spinning

With time
Something came from inside my chest
An anguish hard to explain

Missingness, I don’t know of what
Sadness, I don’t know why
Will, even not on purpose, to cry

Anguish of not understanding
Boringness that we even don’t believe
Yearning of forgetting everything and going back

I gathered my stuff in a rugsack
I telegraphed to my brother
Saying I would arrive

Now I learned why the world spins
The more we free ourselves
The more we stay in the same place

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